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7 de dezembro de 2013

Apenas Mais Uma De Amor

amor conto


– Porque... Porque você não gosta de mim? – as palavras escapuliram da boca dele, quebrando o silêncio, antes que o cérebro raciocinasse melhor.
– O que? – franzindo o cenho ela se virou para olhá-lo.
– Porque você não gosta de mim? – repetiu, decidindo que agora que o leite fora derramado, não adiantava tentar voltar atrás.
– Mas o que? – ela sacudiu a cabeça, tentando entender aquela maluquice toda – Quem te falou uma coisa dessas?
– Ninguém – se apoiou na bancada que estava atrás dele e cruzou os braços – Ninguém precisou falar nada, é completamente obvio isso – ergueu os braços, buscando uma maneira de se explicar, mas acabou cruzando-os de novo – Você não fala comigo, sempre que eu apareço você arranja uma desculpa e vai embora... – passou a mão pelos cabelos, desajeitando-os de um jeito atraente – Eu fiz alguma coisa pra você me odiar assim? – respirou fundo, tentando não se deixar distrair por aqueles grandes, doces e meigos olhos castanhos – Eu tento te agradar de todas as formas e... e... – fechou os olhos com força por um momento.
– Não, eu... – a boca se abriu e fechou algumas vezes, mas as palavras não saíram.
– Você sequer olha pra mim! – desabafou e depois soltou o ar lentamente pela boca, aliviado por ter tirado um peso das costas.

   Eles ficaram em silêncio por um momento, os olhares fixos. Ele esperava uma resposta. Ela pensando em como explicar.
   Ele bufou, desfazendo o silêncio ensurdecedor que se formara no ambiente, negou com a cabeça e se virou, disposto a ir embora e deixar tudo aquilo pra trás. Já perdera muito tempo, noites sem dormir e energia, naquela relação platônica.

– É porque eu gosto de você... – as palavras saíram baixas, quase num sussurro, mas mesmo assim ele conseguiu escutar – Eu não falo e nem olho pra você, é verdade... Pelo menos na maior parte do tempo! – ele se virou e a viu de cabeça baixa – Porque eu tenho medo de que você perceba... Tive medo! – se corrigiu, negando com a cabeça – Se eu me dispusesse a conversar com você ia acabar gaguejando – sorriu de leve – E se eu te olhasse você ia acabar percebendo quão apaixonada eu sempre fui... – ajeitou a franja e então ergueu os olhos pra ele – Eu não queria parecer mais patética do que eu já pareço – passou a língua pelos lábios, umedecendo-os – Não é que eu não gostasse de você, eu apenas não queria fazer papel de tola – deu de ombros.

   O coração estava pulsando tão forte e rápido, que ele pensou se as pessoas da casa ao lado também estavam ouvindo. Abriu a boca para esclarecer a situação e colocar os pingos nos is, mas a garota se recuperou primeiro.

– Fico imaginando o quão clichê isso pode parecer – riu, os olhos agora marejados – Se apaixonar pelo melhor amigo do irmão... Amar alguém que te vê apenas como uma pirralha sem noção – respirou fundo, ignorando o nó que se formara em sua garganta – Eu vejo como as garotas correm atrás de vocês dois – franziu o cenho – Meu irmão tem uma gaveta cheia de cartinhas, cheia de poemas e declarações... E aposto que você também tem – sorriu para ele, mas o sorriso não chegou aos olhos – Eu decidi que não seria uma dessas garotas, sabe? Dessas que fazem coisas idiotas, que rastejam aos pés de vocês e o máximo que elas conseguem é um amasso seguido de um pé na bunda! Então eu achei que te ignorar era a chave – riu e passou a mão pelo nariz, que estava entupido devido ao choro que ela não percebeu que começara – Eu tentei chamar sua atenção, sempre, a cada momento, cada visita... Eu até pintei o cabelo! – apontou, desnecessariamente para os cabelos, que agora apresentavam um tom de loiro – E nem isso você notou, então...
– Eu notei – ele interrompeu, antes que ela desse um nó em sua cabeça com tantas palavras e emoções misturadas, sem contar o choro – Mas acho que você tava ocupada demais, me ignorando, pra perceber... – sorriu, daquele jeito doce que ela tanto gostava.

   O silêncio retornou, mas ele já não era mais ensurdecedor ou insuportável, pelo contrário! Dessa vez ele era cheio de alívio, e daquela doce insegurança que as pessoas sentem quando tudo esta bom demais para ser verdade. Aquela insegurança que faz você mordiscar de leve a língua, já que o momento não é apropriado para você pedir por um beliscão, e, no fim das contas, o resultado é o mesmo.
   Como se estivessem conectados eles deram um passo pra frente, juntos, ao mesmo tempo. Enquanto tudo aquilo se tornava real, a felicidade de um se refletia nos olhos do outro e os sorrisos... Ah, os sorrisos!
   Mais um, dois... Exatos três passos e eles se encontravam quase colados. As mãos foram para frente e automaticamente se entrelaçaram. Ele, devido a altura, se inclinou um pouco e logo suas testas já estavam unidas... e então os narizes.

– Eu sou apaixonado por você, completamente apaixonado – esfregou o nariz no dela com suavidade – Desde a primeira vez que eu te vi, vestida de moletom, com um pote de sorvete na mão, o nariz escorrendo e cantando ‘O amor chegou’ junto com o filme do Rei Leão.

   Ela riu, sendo acompanhada por ele.

– E eu sou apaixonada por você – passou a língua nos lábios – Desde que você atrapalhou minha cantoria, derrubando um vaso da minha mãe. Eu olhei nos seus olhos, olhei pra você e quis morrer por estar te vendo tão perfeito na minha frente, enquanto eu enfrentava minha primeira TPM!

   Ele soltou uma gargalhada, ergueu uma das mãos dela até seu rosto, levando depois a própria mão ao rosto dela. Fechou os olhos ao sentir aquela textura macia e com delicadeza abriu os lábios, encaixando-os aos dela logo depois.
   Foi suave, doce. Foi surpreendentemente melhor do que o melhor dos sonhos ou devaneios que qualquer um dos dois tivera. Foi perfeito. Foi certo.
   Um selinho demorado e com gosto de quero mais os separou lentamente. As testas permaneceram coladas, o sorriso voltou aos lábios, as respirações entrelaçadas.

– Você... Hm, você acha que o Léo vai se importar? – ele limpou a garganta, de repente se sentindo desconfortável, o que a fez sorrir amplamente.
– O que, com isso? – enrugou a testa, apontando para os dois juntos – O melhor amigo garanhão, companheiro da night com a irmãzinha inocente? – riu ao ver a cara de sofrimento do amado – Talvez um pouquinho... – passou os braços em torno do pescoço dele, que retribuiu ao abraçá-la pela cintura – Mas pode deixar que eu defendo você, ta bom?
– Promete? – ele a apertou, dando um selinho nos lábios que desejou por tanto tempo.
– Prometo! – sorriu, antes de se embolar com ele em outro longo e apaixonado beijo.


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